De novo o turismo

Por Angel Rosa

Walt Disney, o grande desenhista e empreendedor americano,  conseguiu ver no meio do nada o megaempreendimento da Disneylândia. Se na ocasião foi tachado de maluco, visionário, alguém que queria colocar o chapéu onde o braço não alcançava, hoje recebe as honras de ter sonhado um sonho grande, mas possível: a criação do maior parque temático do mundo, atrativo para milhares de turistas de todas as partes do globo.

Outros “doidos” se revezaram para transformar Las Vegas, de um deserto sem fim na capital mundial dos jogos. Querem fazer algo parecido em Madri, para que jogadores da Europa e Oriente  façam lá o que fazem em Las Vegas.

O ditado popular que afirma “sonhar pequeno e sonhar grande dá exatamente o mesmo trabalho” soa bastante verdadeiro nos casos acima citados.

 Poderia acontecer o mesmo, ou algo parecido, conosco.

É notória  a capacidade turística de Jacobina. Está claro que é exagerado compará-la com as “mecas” do turismo mundial citadas anteriormente. Mas essa capacidade existe, embora, claro, mais modesta.

Temos uma boa rede hoteleira. Boa e qualificada. Conte hoje quando sair à rua o número de bons hotéis que possuímos. Temos bons restaurantes, com nota acima da média. Temos as cachoeiras necessitadas apenas de boa infraestrutura, já que parte delas exige um esforço desumano para sua visitação. Temos atividades esportivas que atraem turistas, tais como vôo livre e rappel. Temos uma farta e linda flora, uma fauna com suas peculiaridades. Temos os casarões antigos que estão se deteriorando dia a dia, perdendo um valor inestimável. Temos as festas populares que podem causar ao visitante sensações as mais variadas. Temos (tínhamos?) o evento de turismo religioso que está por acabar devido a birra santa de se trocar o dia de sua realização.

Em nossa zona rural, à beira das serras lindas de Jacobina, existe condições de criação de hotéis-fazenda fantásticos. E agora, mais recentemente, resolveu-se redescobrir a Estrada dos Bandeirantes, que termina aqui, o que talvez represente a redenção da economia de Jacobina.

O estado de Minas Gerais organizou o turismo de suas cidades que beiram essa Estrada Real. Registrou a marca, criou estrutura, divulgou. Fatura hoje milhões, talvez bilhão, com a visitação turística na Estrada. Na Espanha existe o Caminho de Santiago de Compostela. Uma trilha que submeteria os que por ela trafegam a supostas trips espirituais. Para lá se dirigem, todos os anos o ano todo muitos peregrinos, endinherados em sua maioria, em busca de paz de espírito e aventura única. Um brasileiro, o escritor Paulo Coelho, ajudou na divulgação deste Caminho de Santiago, ao narrar as tais trips espirituais no livro Diário de um Mago. Aqui, nós temos a Estrada Real, que é mato puro, embora lindo trajeto, que leva daqui à Rio de Contas, inexplorada. A única atividade existente é a da retirada de pedras do Caminho Real, colocadas lá por escravos e/ou bandeirantes, e agora usadas para os mais diversos e menos nobres fim.

É certo que a caça ao ouro feita pela mineração e mineradores ao longo do tempo nos deu muito. Ainda sobrevivemos disso. Mas está na hora de uma mudança de rumo drástica, corajosa, objetiva, em favor do turismo. O turismo não depreda, não deixa passivo ambiental. Está na HORA!

“Do lado de lá” estão aqueles que habitam as tais “selvas de pedra”, os grandes centros urbanos, ansiosos para ficar por uma semana, ainda que seja, em algum paraíso nos moldes de Jacobina. Por que não cuidar e preparar este paraíso e oferecê-lo a quem o deseja, fazendo disso uma atividade economicamente rentável para todos? O que falta? Qual a dificuldade? Temos tudo!Falta o start, apenas…

E então fazer investimentos na preparação das pessoas, para que se qualifique o atendimento. Treinar pessoas, criar condições, fazer turismo, essa  precisa ser a agenda de candidatos que porventura disputem as próximas eleições. Chega de discurso repetitivo.

Já passou da hora!

Angel Rosa é radialista 

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