Cangaço: Fotógrafo afirma que Lampião não morreu na Grota de Angico

Encontro de Lampião com o fotógrafo Benjamin Abrahão Botto, provavelmente, em 1937

          Por Cid Charles Fernandes de Melo

      Um fotógrafo de Minas Gerais, por nome de José Geraldo Aguiar e pesquisador do cangaço, lançou um livro “Lampião, o invencível”: duas vidas, duas mortes – o outro lado da moeda, que relata a segunda vida do cangaceiro famoso de Serra Talhada. Segundo o autor, o cangaceiro Lampião, teve a ajuda do Padre Cícero de Juazeiro.

           E eu Cid Charles Fernandes de Melo, proprietário e comunicador da Rádio Bahiana FM de Bom Jesus da Lapa, estado da Bahia, admirador da trajetória de Lampião e neto de um dos amigos do rei do cangaço. Gostaria de perguntar por que, historiadores de Serra Talhada, de outros estados da federação de blogueiros, jornalistas, pesquisadores e até familiares, da filha que o casal teve no auge do cangaço, permanecem até os dias de hoje conservando, a  farsa, a mentira do supôsto assassinato de Lampião e Maria Bonita, na emboscada Grota do Angico em poço redondo no estado de Sergipe.                                             

 Pois, bem antes de resumir o que a verdadeira história do homem que bateu em retirada, e viveu no norte e noroeste de Minas Gerais, como fazendeiro e alguns anos antes de morrer como aposentado do Fundo rural. Acho que para essas pessoas e veículos de imprensa, museus, produtores de filmes, de documentários e redes sociais, não é interessante, falar de um grande herói do Brasil, ser dado como uma pessoa que no auge da sua inteligência, saiu de combate com dignidade e não como covarde, para viver uma vida tranquila e resguardar os seus familiares, de qualquer perseguição e exploração midiática. Aconselho os descendentes de Lampião e Maria Bonita, e essa gente que continua ganhando muito dinheiro e popularidade através dos holofotes, das câmeras, dos microfones e dos artigos, para adquirirem esse livro que retrata a outra vida de Virgulino Ferreira da Silva.

Lampião, Maria Bonita, e membros do seu bando,

            José Geraldo Aguiar, nasceu em Vila do Morro (município de São Francisco), em 16 de outubro de 1949. O fotógrafo, com 35 anos de profissão, deixou a vida tranquila que tinha na cidade de São Francisco, para averiguar a história do homem que garantiu ser “Lampião”. Aí você leitor desse meu relato e resumo sobre esse livro pergunta:  As cabeças dos cangaceiros são reais, você vai entender parte do relato, inclusive da conversa do autor do livro e o Cangaceiro Lampião.

           Segundo o autor do livro José Geraldo Aguiar, que faleceu em 02 de novembro de 2011, de um ataque cardíaco fulminante aos 61 anos, após o lançamento do livro em 2009. Ele passou 17 anos pesquisando a vida de Lampião, que conheceu no interior de Minas Gerais e publicou Lampião, o invencível – duas vidas, duas mortes, o outro lado da moeda (thesaurus, 2009). O objetivo do livro, disse ele, na época “provar” que  Virgulino Ferreira da Silva não foi morto pela polícia na localidade de Angicos, município de Poço Redondo (SE), na madrugada de 28 de julho de 1938, ao lado de 10 companheiros, incluindo a lendária Maria Bonita.

          O livro de JGA certamente continua, promovendo uma reviravolta na biografia de Lampião, que nasceu em 7 de julho de 1897, no Sítio Ingazeira e foi criado em Vila Bela, atual Serra Talhada (PE), sendo transformado um dos mais conhecidos cangaceiros brasileiros, cantado em prosa e verso, com inúmeras biografias e cinebiografias. Fora dos eixos, José Geraldo Aguiar falou sobre o seu livro, no qual agradeceu a Deus, pela “dádiva de anunciar a sobrevida de Lampião.”

          José Geraldo Aguiar tratou da verdadeira história de Lampião. O meu livro é totalmente diferente das histórias que já escreveram sobre Lampião. Disse o escritor: em relação à morte, estou contradizendo tudo que se escreveu: Lampião morreu, no noroeste de Minas Gerais, no dia 3 de agosto de 1993, aos 96 anos e 20 dias de acordo com a certidão de nascimento dele, que consta no livro. O que se diz em contrário foi uma farsa.

          Conforme José Geraldo Aguiar, Lampião teria escapado do cerco policial em Sergipe, e morrido de morte natural no interior de Minas Gerais. Ele relatou em vários veículos de comunicação, inclusive no Jornal Nacional da Rede Globo de televisão, que conviveu com Lampião, que ele era um homem muito caridoso, durante cinco meses, mesmo na época do cangaço, ele também foi caridoso. Ele relatou ainda os fatos. Eu me senti na obrigação de não me acovardar. Senti-me na obrigação de transmitir para o mundo essa mega-descoberta.

             JGA, afirmou que Lampião e Maria Bonita, não foram mortos em Angico (SE), e que não tiveram as cabeças cortadas e expostas ao público. Pois, saiba que essa versão não corresponde à verdade dos fatos com relação à morte de Lampião.

Disse José Geraldo Aguiar. Lampião morreu de morte natural, no dia 3 de agosto de 1993 e Maria Bonita no dia 3 de agosto de 1978. Eu provo isso no meu livro.

Lampião, Maria Bonita e cangaceiros do seu bando (Foto: Benjamin Abrahão Botto)

           Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, é considerado um gênio no que fez. Além do título de Rei do Cangaço, era poeta, compositor – criou o xaxado, uma variante do baião – e costureiro. No dia 28 de julho de 1938, no município de Poço Redondo, no estado de Sergipe, no nordeste brasileiro – JGA conta no seu livro – houve a impostura do tenente João Bezerra, com sua volante. O tenente Bezerra anunciou o fim do cangaço independente, dizendo ter dado cabo ao rei e rainha do cangaço, mais nove aliados. Foi uma mentira que entrou para a história do cangaço. Disse o escritor.

 José Geraldo Aguiar, após 54 anos, descobriu Lampião vivo, no dia 15 de fevereiro de 1992, na cidade de São Francisco, no norte de Minas Gerais, na República Federativa do Brasil. Disse JGA. Eu conheci Lampião e fiz uma história investigativa, viajei em grande parte do Brasil, pesquisando para montar o livro. Em Minas Gerais, foi principalmente por onde ele entrou, em Itacarambi – município que foi destaque no noticiário, sofreu um terremoto em 2008 – que na época era um povoado e hoje está emancipado, com o nome de São João das Missões. Além de Itacarambi, Lampião, esteve também em outras localidades mineiras. Na cidade do lado oposto do rio, Matias Cardoso, Januária, depois esteve em três povoados: Tejuco, Brejo do Amparo e São Joaquim, todos povoados pertencentes ao município de Januária. Voltando ele atravessou o rio São Francisco – tudo nas margens do São Francisco, as citadas – para o lado direito, estando no povoado de Pedra de Maria da Cruz, isso em 1945. Depois de Pedra ele foi até Jaíba e depois Burarama, hoje capitão Enéas. Fui conversando com pessoas, ouvindo depoimentos de pessoas idosas e idôneas, fui escolhendo o que achei mais correto, que poderia mostrar mais credibilidade.  O cangaço antecedeu Lampião, ele aderiu ao “banditismo social” para vingar a morte do pai, e virou uma lenda viva no nordeste brasileiro. No seu livro, entrevistou 46 testemunhas que também viram Lampião vivo.

Cabeças dos onze cangaceiros mortos na Grota de Angico em 1938

           Lampião, fez um trajeto para despistar a polícia. Aí foi quando ele voltou, indo para o município de são Francisco – ele foi, não tinha ido ainda – posteriormente foi à cidade de Arinos, passou por Urucuia, depois cidade de Arinos, Unaí e finalmente Buritis, onde faleceu. O contato com ele foi interessante, eu conversando com um amigo em 1991, me falou de uma determinada pessoa, no município de São Francisco, que havia conhecido em 1963, que ele tinha quase certeza que aquele homem era Lampião. A partir daquela noite eu já passei em pensar em pesquisar e descobrir o verdadeiro homem. Em fevereiro de 92, me deparei com ele e realmente pude chegar à conclusão que ele era realmente o verdadeiro Lampião. Ele declarou pra mim e pras pessoas. A comunidade não se tocou quem era realmente Lampião, eu o fotografei, fiz o mesmo com Maria Bonita. Eu era o único fotografo da cidade. Época do preto e branco. As fotos estão no livro. São inéditas.

           Quando eu descobri a história, registrei os meus direitos autorais, no Rio de Janeiro, no Ministério da Cultura, que funcionava no Rio de Janeiro. Para provar que era ele mesmo Lampião lhe disse que no episódio de Angico, tinha quatro grupos de Lampião que não estavam lá. Ele dividiu o bando em subgrupos, onde, num deles, estava um casal de ex-cangaceiros que eu entrevistei: Moreno e Durvinha (ela faleceu em 26/06/2008). Lampião foi um homem muito inteligente. Disse na época do lançamento do livro José Geraldo Aguiar. Com essas revelações eu espero mudar a história da realidade do cangaço brasileiro. Eu não criei, me deparei com essa situação e achei por bem escrever e mostrar para o mundo.

           Eu tenho consciência de que meu livro é polêmico. Essa incógnita começou por lá e eu vim desvendar o mistério. Por quê? Quando se deu aquele problema a dita morte em Angico, as dúvidas começaram ali naquele dia, dos presentes 35 homens e cinco mulheres, apenas 11 foram mortos, nunca se explicou se foram a tiros ou envenenamento. Essa dúvida tem na história. Agora, porque o João Bezerra (tenente, consta que foi o matador de Lampião), mas na própria história é sabido que (citou) dizia que o ten. João Bezerra, entre os colegas. Era visto com Lampião, quando dizia também que já tinha morto. Na decapitação desses cadáveres só quatro dias depois essas cabeças, em estado de decomposição, chegaram à presença do público, dentro de uma lata com sal grosso e vinagre, transportada pela polícia militar. Aquela cabeça que eles diziam ser de Lampião foi entregue em primeiro lugar a um dentista chamado Arnaldo Siqueira e ele passou para outro dentista, José Lages Filho, que fez uma autopsia dessa cabeça, mas ele também não afirmou que aquela cabeça era de Lampião. Seria ele um grande mentiroso se tivesse afirmado.

            JGA disse em 2009. Sinto-me muito bem, com o meu livro, o passado se torna presente ao povo do futuro. Demonstro a bravura e grandeza de um intrépido brasileiro do passado. Só através da história a sociedade poderá ter a exatidão de sua própria história. Afirma JGA, Lampião não serviu ao exército, ninguém tinha dados sobre ele, como é que alguém poderia afirmar? Eu creio que o meu livro vai causar grande repercussão a nível nacional, e pode até ultrapassar as fronteiras brasileiras. Existem escritores que escreveram sobre Lampião em Portugal, França, Espanha, Estados Unidos da América, Inglaterra…

           O escritor do livro José Geraldo Aguiar , estava com 47 anos quando descobriu Lampião e lançou o livro, com 59 anos (em 16 de outubro de 2009). Disse ainda a imprensa nacional. Esse tempo todo, 17 anos e seis meses, trabalhei na pesquisa. Lançou o livro no Ceará, Brasília, Minas Gerais. Declarou ainda ter alguns objetos que pertenceram a Lampião. Tive acesso à identidade, certidão de nascimento, ele usou 13 nomes em MG, para permanecer na clandestinidade. Tive acesso a vários objetos de Lampião.

           Ele estava com 41 anos de idade. Quando fugiu do cerco da polícia em Sergipe com apoio de Padre Cícero e outras pessoas. Eu tive essa dádiva de encontrá-lo. Quanto à rainha do cangaço Maria Bonita, faleceu aos 70 anos, no dia 3 de agosto de 1978, no hospital São Lucas em Montes Claros, Minas Gerais, cometida por um câncer. Lampião teve 17 filhos, só com Maria Bonita foram 10 e 7 com as outras companheiras. Após Maria Bonita dos quais 14, vivem em Minas Gerais, como retrata o livro de JGA. Teve ainda mais de 50 netos e mais de 40 bisnetos como retrata o livro JGA.

           Para conhecer toda essa história de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros, eu Cid Charles Fernandes de Melo aconselho aos leitores dessa matéria adquirirem, o livro “Lampião, o invencível: duas vidas, duas mortes – o outro lado da moeda”. Em livrarias, no Mercado Livre e através do telefone (38) 3631-2589, falar com a Srª Edny Aguiar, esposa do iluminado escritor dessa obra literária fabulosa.

Cid Charles Fernandes de Melo é proprietário e comunicador da Rádio Bahiana FM de Bom Jesus da Lapa

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