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Aniversário de 19 anos do Caps AD Jacobina

O CAPS AD Jacobina nasceu a 27 de setembro de 2006, não tendo sido fruto de demanda da comunidade local ou dos seus representantes. O então coordenador estadual de saúde mental, Dr. Paulo Gabrielle, solicitou a implantação deste serviço, quando o estado só havia implantado quatro serviços desta natureza até então, sendo apenas um na cidade do Salvador, que não era coordenado pela prefeitura, mas, com equipe de pessoal da UFBA, CETAD e SESAB, então coordenado pela assistente social e psicóloga Patricia von Flach.
Alugamos o espaço e em pouco tempo fizemos o projeto, reformas de adaptação no local, montamos a equipe, compramos os móveis, estruturamos a grade de atividades, implantamos o serviço com fundamental auxílio dos mentaleiros que já atuavam no Caps II Jacobina e a iniciativa da SESAB e da prefeitura em querer ampliar a rede de atenção psicossocial.
Na inauguração se fizeram presentes autoridades locais, comunidade, Dr. Paulo Gabrielle, psiquiatra, coordenador de saúde mental da SESAB e dois lideres religiosos que entendiam a necessidade de um serviço que oferecesse acolhimento a este público: o padre José, então Abade do Mosteiro do Jequitibá, e o pastor Milton Cesar, dois queridos amigos.
Passados dezenove anos, ainda nos sentimos meio isolados e órfãos da sociedade, muito parecido com a situação da maioria da nossa clientela. Passamos por momentos muito complicados na última gestão, mas, da forma possível seguramos o barco para evitar o descredenciamento deste tão importante serviço que acolhe os excluídos dos excluídos.
Convivemos com toda espécie de preconceito de uma sociedade excludente, capitalista, egoísta, que estimula a competição e não avalia o dano que causa as pessoas com genética para abuso de substâncias psicoativas.
Nossa clientela não tem espaço de acolhimento ou convivência além do Caps AD, nem mesmo nos serviços de saúde, nos grupos religiosos ou na família.
Já observamos iniciação ao uso de álcool e drogas cada vez mais precoce, agora já podendo ser acolhidos no nosso CAPS IJ (até os 17 anos), com pais, escolas e estrutura comunitários cada vez mais impotentes diante dos enfrentamentos necessários para promover cuidado.
De memória o Caps AD de Jacobina, me orgulha muito; os seminários e workshops realizados, as participações em congressos estaduais e nacionais com trabalhos inscritos, as atividades extramuros, especialmente no mercado municipal, no “corredor da morte”; a micareta de 2008, quando saímos com um bloco composto por 300 usuários dos dois Caps de então; a implantação de um centro de convivência e cultura em parceria com o Quilombo Erê em vias de termos de volta como CECOs, agora com financiamento; da realização de práticas de terapia comunitária, de tantas ações realizadas nos domicílios, no sigilo, na crise, durantes as oficinas de pintura de óleo sobre tela, de terapia corporal, de mosaico, das aulas de computação; o São João no Centro do idoso, dos “dias da alegria”, dos jogos de futebol, cinema no centro cultural, jogos de dominó e sinuca, passeios e visitas públicas, o cotidiano do serviço que fizeram excluídos e profissionais fortalecerem vínculos, abrirem oportunidade de cuidado, reduzir agravos.
Já realizamos muita coisa, mas, continuamos reiniciando todo dia, como o esforço dos nossos usuários para evitar recaídas.
Diante de tantas dificuldades já passadas não desistimos. A equipe atual herdou toda a experiência da história do serviço através dos usuários, dos trabalhos feitos por eles e pelos colegas que por aqui passaram deixando suas lágrimas e sorrisos no enfrentamento dos sofrimentos psicossociais, da exclusão, da invisibilidade.
Iniciamos este ano voltando ao protocolo técnico devido, depois de quatro anos de severas dificuldades, recebendo todos os insumos necessários, especialmente fármacos, reestruturando a equipe, realizando seminário, curso de formação (Nós na Rede) para vinte e três profissionais.
Voltamos a oferecer oficinas, acolhimento diurno, alimentação. Iniciamos matriciamento em atenção psicossocial na atenção básica, oferecendo contra referências aos atendimentos individuais, iniciando este mês “ações itinerantes de atenção psicossocial” nos territórios.
Continuaremos esperando maior amadurecimento da comunidade para entender a necessidade em acolher os cidadãos adoentados e excluídos por não estarem servindo ao capital conforme esperam, oferecendo cuidado sem internamento de longa permanecia.

Cledson Sady,
Diretor de Saúde Mental de Jacobina

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