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Opinião: A BAHIA DIANTE DA URNA

 

Rádio Jacobina FM – Coluna “Ponto e Contraponto”— 19 de setembro de 2026

A BAHIA DIANTE DA URNA

Faltam apenas quinze dias para as Eleições Gerais de 04 de outubro. O calendário avança, os discursos se intensificam e o eleitor baiano começa a transformar dúvidas em escolhas. Nas ruas, nas redes sociais e nas conversas familiares, a política volta a ocupar espaço — nem sempre com serenidade, mas sempre com grande importância.
As pesquisas mais recentes desenham uma eleição para o Governo da Bahia em situação de absoluto equilíbrio. ACM Neto e Jerônimo Rodrigues aparecem tecnicamente empatados. No segundo turno simulado, consoante mostrou a última pesquisa AtlasIntel, ACM Neto registra 49,2%, contra 48,6% de Jerônimo. A diferença é inferior à margem de erro de dois pontos percentuais.
Isso significa que não há vencedor antecipado. Há, sim, uma disputa aberta, na qual cada voto poderá adquirir peso decisivo.
ACM Neto procura apresentar-se como alternativa de mudança e renovação política. Jerônimo Rodrigues defende a continuidade de um projeto administrativo associado ao grupo que governa a Bahia há vários anos e conta com a influência política do presidente Lula. De um lado, a oposição explora o desejo de alternância; de outro, o governo aposta na força de sua estrutura, na presença municipal e na identificação de parcela expressiva do eleitorado com o lulismo.
A Bahia, entretanto, não é politicamente uniforme. Salvador e sua região metropolitana podem oferecer vantagem à oposição, enquanto o interior mantém forte presença governista. Mas essa divisão não é absoluta. O eleitorado urbano também está fragmentado, e o interior não vota de maneira automática. A velha política das certezas deu lugar a um eleitor mais atento, desconfiado e, muitas vezes, silencioso.
Na disputa pelo Senado, o cenário apresenta outra configuração. Rui Costa aparece com 28,2%, seguido por Jaques Wagner, com 23,7%. João Roma registra 18,3%, e Angelo Coronel, 16%. Como cada eleitor escolherá dois nomes, a eleição para as duas cadeiras exige uma leitura diferente.
A pergunta central é: o eleitor votará nos dois candidatos de uma mesma chapa ou dividirá seus votos? Essa decisão poderá alterar completamente o resultado. Uma chapa pode liderar a disputa, mas não necessariamente eleger os dois nomes. O voto cruzado — aquele em que o eleitor escolhe candidatos de grupos diferentes — poderá ser determinante.
É preciso, contudo, olhar as pesquisas com responsabilidade. Elas são retratos de um momento, não certidões de vitória. A metodologia, o período da coleta, o tamanho da amostra, a margem de erro e o registro na Justiça Eleitoral precisam ser observados antes de qualquer conclusão.
A poucos dias da votação, ainda há eleitores indecisos, votos que podem migrar e campanhas que tentarão ocupar os últimos espaços disponíveis na memória do cidadão. Debates, propaganda, alianças, acontecimentos locais e o desempenho dos candidatos na reta final podem modificar o quadro.
O que se pode afirmar, neste momento, é que a eleição baiana está aberta. Para o Governo do Estado, a disputa é de equilíbrio e tensão. Para o Senado, o grupo governista parte numericamente à frente, mas a oposição permanece competitiva.
No dia 04 de outubro, as pesquisas darão lugar às urnas. E as urnas, como a história ensina, não repetem necessariamente as previsões: registram a decisão soberana do eleitor.
Ponto e Contraponto: mais importante que escolher um lado é compreender o cenário, avaliar propostas e votar com consciência. Afinal, como sabemos, voto não tem preço, tem consequência!

Por João Jaques