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Mais uma vez, a oportunidade bateu à nossa porta — e não soubemos aproveitá-la.

Por joão batista06/10/2026 às 16:086 min de leitura

É chegada a hora de fazermos uma reflexão serena, mas necessária, sobre o resultado de mais um pleito.
As entidades organizadas de Jacobina, preocupadas com o desenvolvimento do nosso município e com a necessidade de torná-lo cada vez mais atrativo, oferecendo melhores condições de mobilidade, segurança, conforto e qualidade de vida, fizeram a sua parte.
Mais uma vez, mobilizaram-se e apresentaram aos candidatos ao Governo do Estado, ao Senado e às Câmaras Legislativa e Federal um documento contendo três importantes reivindicações para Jacobina:
1. BR-324 e a segurança dos acessos à cidade
A rodovia corta a área urbana e, além de dificultar o acesso aos bairros, coloca em risco a segurança de quem precisa atravessá-la ou utilizar seus acessos. É indispensável buscar soluções de engenharia, como viadutos, elevados e outros dispositivos adequados, que proporcionem segurança e melhor mobilidade à população.
2. Desassoreamento dos rios Itapicuru e Rio do Ouro
Temos dois rios que são verdadeiros presentes de Deus e que fazem parte da história e da paisagem de Jacobina. O desassoreamento e a recuperação de seus leitos precisam ser tratados como prioridade, inclusive como medida preventiva diante dos riscos de alagamentos e inundações nas áreas próximas às suas margens.
3. Organização do trânsito e da mobilidade urbana
Jacobina recebe diariamente pessoas de diversos municípios que aqui vêm em busca de comércio, serviços, saúde, educação e outras necessidades. Nossa cidade precisa de um trânsito planejado, organizado e capaz de atender tanto quem mora aqui quanto quem nos visita.
As entidades fizeram a sua parte. As reivindicações foram formuladas. Os candidatos receberam os documentos.
Mas existe uma lacuna que precisamos ter a coragem de discutir.
Ainda precisamos avançar na discussão sobre a escolha e a construção de uma representação capaz de transformar essas reivindicações em ações concretas.
De que adianta identificarmos os problemas, elaborarmos documentos e apresentarmos reivindicações se não conseguirmos também construir, de forma coletiva, uma estratégia para termos representantes comprometidos com a defesa e a viabilização dessas ações?
Talvez aqui esteja uma das principais lições deste pleito.
Em determinados momentos, podemos ter agido como caçadores que atiram para muitos lados, na esperança de acertar algum alvo, mas sem uma estratégia comum e sem concentrar forças em objetivos claramente definidos.
E o resultado dessa dispersão precisa ser reconhecido com serenidade: não conseguimos construir a representação que desejávamos para Jacobina.
Não se trata de culpar ninguém.
Muito menos de desmerecer os candidatos que receberam votos em nossa cidade.
Trata-se apenas de reconhecer que o voto também é instrumento de construção política e de representação, e que talvez ainda não tenhamos sido suficientemente estratégicos para utilizá-lo em favor de um projeto maior para Jacobina.
E aqui está uma questão que merece nossa atenção:
aqueles que vieram a Jacobina e aqui conquistaram votos poderão, naturalmente, defender diferentes prioridades e projetos. Por isso, não devemos simplesmente presumir que todos terão o mesmo nível de compromisso com a Jacobina que sonhamos e queremos construir.
É justamente por isso que precisamos pensar no futuro com mais planejamento.
Queremos uma Jacobina grande, hospitaleira, desenvolvida, inclusiva e preparada para ser uma verdadeira cabeça de vagão desenvolvimentista, capaz de impulsionar não apenas o nosso município, mas também beneficiar os demais municípios do seu entorno.
Esse projeto exige representação.
E representação exige planejamento, diálogo, união e, sobretudo, compromisso com uma visão coletiva de futuro.
E aqui surge uma constatação que não devemos ignorar: nós temos CARTAS NA MANGA.
Sim, temos.
São justamente aqueles que tiveram a coragem de colocar seus nomes à disposição e fazer o chamado “voo solo”.
Jacobina teve filhos e adotados da terra que tiveram a coragem de disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
Eles enfrentaram uma disputa difícil, colocaram seus nomes à apreciação dos eleitores e deram um passo que merece ser reconhecido: tiveram coragem de tentar.
Talvez o resultado desta eleição não precise ser visto apenas como uma oportunidade perdida.
Pode ser também uma oportunidade de aprendizado.
Essas corajosas pessoas não precisam ser esquecidas.
Podem ser conhecidas, avaliadas, aproximadas e, quem sabe, no futuro, aglutinadas em torno de um verdadeiro projeto coletivo para Jacobina.
Não se trata de escolher hoje quem será o representante de amanhã.
Trata-se de começar desde já a construir um ambiente de diálogo e união, no qual aqueles que demonstrarem compromisso com nossa cidade possam participar da construção de um projeto que esteja acima de interesses individuais.
Porque talvez seja exatamente isso que esteja faltando:
Menos “eu” e mais “nós”.
Menos individualismo e mais altruísmo.
Menos improvisação e mais planejamento.
Menos interesses pessoais e mais compromisso com Jacobina.
Não precisamos esperar o próximo período eleitoral para começar essa discussão.
Precisamos identificar, com serenidade e responsabilidade, quem poderá nos representar no futuro, quem tem disposição para servir e quem poderá ajudar a transformar nossas reivindicações em ações concretas.
As entidades organizadas já sabem identificar as necessidades e apresentá-las.
Agora precisamos também aprender a construir a representação capaz de ajudar a viabilizá-las.
Não se trata de procurar culpados pelo resultado deste pleito.
Trata-se de aprender com ele.
E talvez a principal lição seja esta:
não podemos continuar atirando para todos os lados quando temos objetivos tão importantes a alcançar.
Precisamos ter foco.
Precisamos ter estratégia.
Precisamos ter união.
Precisamos saber onde queremos chegar.
Temos potencial.
Temos gente preparada.
Temos filhos da terra — natos e adotados — dispostos a lutar.
Temos entidades organizadas.
Temos demandas claramente identificadas.
E, melhor ainda:
Já temos algumas CARTAS NA MANGA.
O que precisamos agora é saber como juntá-las em torno de um projeto coletivo, respeitando as diferenças, valorizando os talentos e colocando o interesse de Jacobina acima das conveniências individuais.
Talvez não tenhamos conseguido perceber isso a tempo desta vez.
Que pena!
Mas não precisamos transformar o lamento em desânimo.
Podemos transformá-lo em aprendizado.
Podemos começar agora a construir aquilo que talvez não tenhamos conseguido construir até aqui.
E, se Deus nos permitir, que 2031 nos encontre mais preparados, mais unidos, mais conscientes e com um projeto coletivo amadurecido para a Jacobina que sonhamos e queremos.
Não sabemos hoje quem estará nesse caminho.
Mas sabemos que as cartas estão sobre a mesa.
Cabe a nós saber como utilizá-las.
Que Deus abra nossas mentes, ilumine nossas decisões e nos ajude a compreender que Jacobina merece ter representantes comprometidos com seus interesses, tanto na esfera estadual quanto no Congresso Nacional.
Jacobina merece mais.
Jacobina pode mais.
E o futuro de Jacobina também depende de nós.
Que não esperemos a próxima oportunidade chegar para então começarmos a pensar nela.
Comecemos agora.
Artur Teixeira Pereira
Médico Veterinário – (Atual) – Presidente do Conselho Superior da ACIJA