Jacobina

CHUVA: BÊNÇÃO DE DEUS, MAS TAMBÉM UM ALERTA PARA JACOBINA!

Por joão batista20/10/2026 às 16:406 min de leitura

É uma bênção de Deus ver a chuva chegar, renovar a esperança e favorecer a produção rural. A água é essencial à continuidade da vida, à agricultura e ao abastecimento. Devemos nos alegrar com as precipitações e rogar pela continuidade delas, pedindo também sabedoria para prevenir os transtornos e prejuízos que grandes volumes de água podem provocar.

MAS AQUI FICA UMA REFLEXÃO: EM JACOBINA, DESEJAR A CHUVA NÃO DEVERIA SIGNIFICAR TEMER OS ALAGAMENTOS E OS PREJUÍZOS QUE ELA PODE PROVOCAR!

Nossa querida cidade precisa estar preparada para receber as precipitações com segurança, por meio de planejamento, infraestrutura adequada e medidas preventivas capazes de proteger seus cidadãos.

A chuva é uma bênção divina; preparar a cidade para recebê-la com segurança é uma responsabilidade humana e administrativa.

O ALERTA: JACOBINA FOI AGRACIADA POR DEUS COM DOIS RIOS QUE CORTAM A CIDADE: O ITAPICURU-MIRIM E O RIO DO OURO. POR QUE, ENTÃO, AS CHUVAS INTENSAS AINDA CAUSAM TANTA APREENSÃO?

Essa é uma questão que merece a atenção dos nossos gestores públicos e de toda a sociedade.

Ao longo das décadas, o assoreamento dos leitos dos rios, as condições dos cais em determinados trechos e a expansão urbana, inclusive nas encostas e serras, sem que a infraestrutura de drenagem pluvial acompanhasse adequadamente esse crescimento, podem ter contribuído para agravar os problemas de escoamento das águas.

A impermeabilização do solo pelo calçamento e pela pavimentação asfáltica também aumenta o volume de água que chega rapidamente às partes mais baixas da cidade. Quando se somam a isso possíveis limitações no escoamento dos rios, o risco de alagamentos merece ainda mais atenção.

Vale registrar que essa combinação de fatores exige investigação e providências, sobretudo em pontos críticos, a exemplo da Avenida Francisco Rocha Pires, onde o acúmulo de água provoca transtornos e pode ocasionar prejuízos a moradores e comerciantes.

Não podemos simplesmente nos conformar com essa situação a cada período de chuvas mais intensas!

JACOBINA TEM INSTITUIÇÕES QUE PENSAM NO SEU FUTURO. É HORA DE TRANSFORMAR REIVINDICAÇÕES EM AÇÕES CONCRETAS!

Há décadas, a ACIJA – Associação Comercial e Industrial de Jacobina vem apontando a necessidade de ações estruturantes para construirmos uma Jacobina melhor. Ao longo desse percurso, foram elaborados documentos e apresentadas reivindicações em articulação com diversas instituições organizadas da sociedade, a exemplo da CDL, do Lions, da OAB de Jacobina, do Rotary, da Maçonaria, do Conselho Comunitário de Segurança Pública e dos sindicatos patronal e dos comerciários.

Mais recentemente, somou-se a esse esforço o Sindicato dos Produtores Rurais, ampliando a participação dos segmentos representativos da nossa sociedade na busca por soluções para os desafios de Jacobina.

Essa trajetória demonstra que a preocupação com a infraestrutura, a segurança, o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população não é recente. É fruto de um trabalho construído ao longo dos anos por instituições que, respeitando suas particularidades, podem unir esforços em torno de objetivos comuns.

Mais recentemente, foram destacadas três demandas prioritárias para o futuro de Jacobina:

  1. A BR-324 E A SEGURANÇA DE QUEM TRANSITA PELA CIDADE A rodovia corta a área urbana e exige atenção especial para reduzir os riscos à vida de pedestres, ciclistas, motociclistas e condutores de veículos. Precisamos buscar soluções de infraestrutura que proporcionem mais segurança e fluidez ao trânsito.
  2. O DESASSOREAMENTO DOS RIOS É necessário estudar e viabilizar as intervenções adequadas nos leitos do Itapicuru-Mirim e do Rio do Ouro, observando os critérios técnicos e as autorizações ambientais. A melhoria das condições de escoamento deve integrar uma política mais ampla de prevenção de inundações e proteção da população.
  3. A MOBILIDADE URBANA E O TRÂNSITO O crescimento econômico de Jacobina e o consequente aumento da circulação de veículos tornam cada vez mais necessário planejar o trânsito, organizar os espaços públicos e buscar alternativas para a insuficiência de vagas de estacionamento, especialmente nas áreas de maior movimento.

São questões distintas, mas interligadas por um mesmo desafio: o crescimento de Jacobina precisa ser acompanhado de planejamento, infraestrutura e investimentos compatíveis com as necessidades da população.

Não basta reconhecer o potencial econômico da cidade. Precisamos assegurar que o desenvolvimento também se traduza em segurança, mobilidade, prevenção de prejuízos e qualidade de vida.

DIANTE DAS POSSÍVEIS INUNDAÇÕES, O QUE PODEMOS FAZER PARA MUDAR ESSA REALIDADE?

Fica aqui uma sugestão construtiva: que a Prefeitura convoque engenheiros e outros profissionais capacitados, inclusive filhos desta terra, para, juntamente com seus técnicos, realizarem estudos e apresentarem um projeto de engenharia que identifique as causas das inundações e indique as soluções mais adequadas.

Entre as alternativas que poderiam ser estudadas estão a melhoria e a ampliação da drenagem pluvial, a implantação de tubulações dimensionadas conforme as necessidades locais e a utilização de dispositivos que impeçam o retorno das águas quando o nível dos rios estiver elevado.

Onde o escoamento por gravidade não for suficiente, outras soluções, inclusive sistemas de bombeamento, também poderiam ser avaliadas.

Tudo isso dependeria de estudos hidráulicos, topográficos, ambientais e de viabilidade econômica, para que as intervenções realmente funcionem sem transferir o problema para outras áreas.

E POR QUE NÃO BUSCAR PARCERIAS PARA VIABILIZAR ESSES PROJETOS?

Considerando a importância da atividade mineradora para a economia de nossa região, fica a sugestão de que o poder público dialogue com a empresa que atualmente explora “nossas reservas de ouro”, a fim de avaliar a possibilidade de sua participação no financiamento de um projeto de interesse coletivo para enfrentar as inundações da Avenida Francisco Rocha Pires.

Essa participação poderia ser discutida por meio de instrumentos legais adequados e de uma parceria transparente, que conciliasse os interesses da comunidade, as responsabilidades do poder público e a disposição da iniciativa privada em contribuir para o desenvolvimento regional.

Da mesma forma, a Prefeitura poderia articular parcerias com os governos estadual e federal para estudar e viabilizar as intervenções necessárias nos rios e na infraestrutura urbana.

A ACIJA e as demais instituições organizadas podem continuar contribuindo com esse processo, reunindo propostas, mobilizando a sociedade e incentivando o diálogo entre o poder público, os profissionais especializados e a iniciativa privada.

Não se trata de ignorar a legislação ambiental, mas de buscar, dentro da lei e com responsabilidade técnica, soluções que conciliem a proteção dos rios, a segurança da população e o desenvolvimento de Jacobina.

A CHUVA É UMA BÊNÇÃO. EM JACOBINA, A PREVENÇÃO É UM DEVER!

Temos rios, temos profissionais capacitados, temos instituições atuantes e temos problemas que precisam ser enfrentados com planejamento e determinação.

Que possamos transformar décadas de reivindicações em projetos, parcerias e obras capazes de oferecer resultados concretos à população.

Que as chuvas continuem chegando para abençoar o campo, abastecer nossos reservatórios e renovar nossas esperanças, sem que moradores e comerciantes precisem conviver com o receio de novas inundações.

Que nossos gestores tenham a iniciativa de reunir competências, ouvir as instituições representativas, buscar parcerias e dar os primeiros passos.

QUE DEUS CONTINUE ABENÇOANDO JACOBINA, SUA GENTE, SEUS RIOS E SUAS CHUVAS!

Artur Teixeira Pereira Presidente do Conselho Superior da ACIJA

Maria Aparecida Pereira de Carvalho Presidente da ACIJA