A árvore que ainda não deu frutos
Por Victor Lopes *
Como o projeto da maior árvore do Brasil deu errado antes mesmo de começar
Era uma quinta-feira, 11 de novembro. Dia em que a Prefeitura Municipal de Jacobina anunciou que a cidade teria a maior árvore de Natal do Brasil. O fato foi noticiado em diversos veículos de imprensa, numa estratégia audaciosa de fazer a cidade e a gestão municipal serem falados para além das fronteiras da chapada.
Já naquele momento o assunto rendia debates e discussões, nos bares e mesas de conversa da cidade e em toda a Bahia. Seria esse o melhor momento para se fazer um investimento público neste perfil? Justamente quando Jacobina sofre os desdobramentos de uma pandemia que assolou o Brasil e o mundo, com impactos sociais e dificuldades diárias na vida das pessoas. Há quem entendesse que não, que era apenas uma reprodução da política do pão e circo, inspirada na Roma Antiga. Para quem entendia que sim, que era o momento para tamanho feito, a primeira justificativa era sobre os ganhos econômicos e turísticos que a “árvore” traria para a cidade e os jacobinenses.
Hoje é sexta-feira, 10 de dezembro. Estamos há menos de duas semanas da noite de Natal e ainda não tem árvore, não tem turismo e não tem movimentação da economia. Surpresos, alguns moradores temem inclusive o que está sendo montado e se, de fato, tal estrutura pode vir a ser chamada de árvore. Que dirá ser a “maior árvore do Brasil”. A insegurança em relação a isso é o mais grave, porque pode ser retrato de uma irresponsabilidade que afeta a expectativa e o bolso da população. O que podemos dizer, diante do adiantar da hora, é que a árvore realmente não deu frutos. Jacobina, conhecida por muitos como Cidade Presépio, se perdeu em uma ideia egocêntrica, deslumbrada e que não reflete o verdadeiro espírito natalino. Jacobina perdeu para si mesmo. Virá um novo ano. E que nele possamos focar na cidade, porque o processo eleitoral já se findou e não há mais tempo a perder.
Sobre este conteúdo, tentamos falar com a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal de Jacobina. Mas, até o momento ainda não tivemos retorno.
Victor Lopes é jacobinense, formado em jornalismo e com passagem por grandes veículos de comunicação da Bahia.

Quem conhece a história humana, reconhece nesta árvore a egocentricidade dos faraós, que para grandiosidade na construção das Pirâmides de Gizé, muitos pereceram, entres estes judeus escravizados, há séculos a. C. A figura do absolutismo do Rei Sol, onde o rei Luis XIV, construiu o mais imponente palacete da sua época, o Palácio de Versalhes, no XVII, para ser o local de infindavéis festas de ricos e nobres, enquanto a França cobrava altos impostos duma população que morria de frio e fome. E com a Revolução Russa de 1914 surgia mais um destes soberanos, envaidecido pela grandeza, agora na figura de Stalin, que ergueu o Palacio do Sovietes, a jóia do socialismo; enquanto obras públicas que beneficiariam o povo era empurradas para 2º plano. Assim, estes exemplos mostram que a mania de grandeza não é algo novo na histórico humana e na administração pública. Infelizmente, as benfeitorias necessárias e os benfeitorias úteis vão perdendo prioridade pra os benfeitorias de natureza voluptuárias. No nosso caso a pavimentação da esburacada Av. Nossa Senhora da Conceição (aquela onde as margens estão o Colégio Modelo ou a Semusa), porta de entrada para aqueles que chegam em visita a nossa Cidade pela região oeste, que serviria para fomentar o turismo e comércio, como obra necessária, ainda, está se arrastando em projeto faz quase um ano. Pois “Viva o luxo, e morra o bucho!”.