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Câncer do colo do útero e a relação com o HPV

A coluna Saúde em Foco entrevista nesta edição a médica ginecologista Dra. Conceição Coelho que fala sobre o câncer de colo de útero e a relação com o HPV.

O câncer do colo do útero é uma doença de evolução lenta que acomete, sobretudo, mulheres com idade acima dos 25 anos. O principal agente da enfermidade é o papilomavírus humano (HPV), que pode infectar também os homens e estar associado ao surgimento do câncer de pênis.

Antes de se tornar maligno o tumor leva alguns anos. Embora a sua incidência esteja diminuindo, o câncer de colo de útero ainda está entre as enfermidades que mais atingem as mulheres e levam a óbito no país.

Felizmente, as estatísticas estão mostrando que 44% dos casos diagnosticados é de lesão ainda restrita ao colo e não desenvolveu características de malignidade. Nessa fase, a doença pode ser curada em quase 100% dos casos.

A nossa entrevistada é médica formada pela Escola Bahiana de Medicina, no ano de 1983, quando iniciou seus trabalhos no Hospital Antônio Teixeira Sobrinho, com plantões nos finais de semana. Foi aprovada em concurso para Residência Médica, realizada no Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba), entre 1984/85. Também é pós graduada em Citologia pela Universidade Federal da Bahia, Departamento de Anatomopatologia e Citologia. A médica também fez especialização em Ultrassonografia e é pós-graduada em Doenças Sexualmente Transmissíveis. Ela é plantonista do HMATS e atende, como Clínica, às quartas-feiras.

A seguir, as perguntas mais comuns e o que a médica fala a respeito:

Saúde em Foco – O que é o câncer do colo do útero?
Dra. Conceição Coelho – É uma das doenças mais frequentes e temíveis para a mulher, uma vez que por ser inicialmente assintomática, quando começa a apresentar sintomas já está muito adiantada para ser tratada. Felizmente, com o Papanicolau e uma boa Colposcopia, além de outros exames mais modernos, fazemos o diagnóstico precoce e a frequência deste tipo de câncer caiu muito. 

Saúde em Foco – O que significa HPV?
Dra. Conceição Coelho – H de humano, P de Papova e V de vírus. É um vírus sexualmente transmissível que atinge o colo do útero e quando não diagnosticado e tratado, pode levar ao câncer do colo uterino. Embora menos frequentes nos homens, no sexo masculino a doença pode causar o câncer de pênis.

Saúde em Foco – Existe relação entre o HPV e o câncer de útero?
Dra. Conceição Coelho – Sim. Temos vários subtipos deste vírus. Uns não oncogênicos e outros, como o 16 e o 18, bastante agressivos – que, se não tratados, levarão ao câncer.

Saúde em Foco – Além do HPV, quais outros fatores contribuem para que a mulher possa desenvolver câncer de colo de útero?
Dra. Conceição Coelho – Lesões crônicas do colo do útero sem tratamento e a baixa imunidade também podem levar a este tipo de câncer, mas com certeza a causa mais comum para o câncer de colo de útero é a infecção pelo HPV.

Saúde em Foco – Como a mulher pode se prevenir destas doenças?
Dra. Conceição Coelho – Há um programa de vacinação do governo que abrange crianças de 09 a 11 anos e também para adultos, mesmo quem já teve atividade sexual. Fora do programa do governo, podem comprar a vacina, além do uso da camisinha (preservativo).

Saúde em Foco – A paciente tratada e curada do câncer do colo do útero pode ter filhos?
Dra. Conceição Coelho – Sim, a depender do estágio da doença. Se for inicial e não tiver comprometimento do colo uterino, a mulher pode engravidar sem problema.

Saúde em Foco – Existe risco de má formação do feto em grávidas que tenham o HPV? 
Dra. Conceição Coelho – Absolutamente não. Não existe correlação entre HPV e má formação fetal.

Saúde em Foco – Após ser curada a pessoa pode se reinfectar?
Dra. Conceição Coelho – Estamos em 2015 e ainda não existe cura definitiva para o HPV. As lesões são tratadas para não sofrerem mutações atípicas e se transformarem numa neoplasia. A paciente pode tanto recidivar ou reinfectar por outros tipos do HPV.

NOTA: As informações existentes nesta coluna não pretendem substituir a consulta médica. Em caso de algum sintomas tratados na entrevista, procure sempre uma avaliação com um médico da sua confiança.

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