Manual do pequeno político

Por José Antonio Valois 

“A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações.” – Winston Churchill

Nos últimos anos temos visto um empobrecimento do discurso e, principalmente, da postura de muitos políticos.

Sei que é difícil pedir decoro de político, mas antes havia um respeito a liturgia do cargo.

Os políticos entendiam que deveriam estar à altura do cargo. Havia mais estilo, menos bravata, porém estamos nos deparando com a pequenez daqueles que chegam ao poder.

Nesse texto, qualquer semelhança, não é mera coincidência. Você poderá se identificar facilmente com mandatários de diferentes esferas, seja federal, estadual ou municipal.

Lamentavelmente, faltam estadistas ao Brasil em todos seus rincões. Faltam homens com o verdadeiro espírito público. O Brasil regrediu. Nos falta um Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, etc.

Listei algumas atitudes que tem se tornado corriqueiras na política brasileira.

Certamente, você vai identificar alguma atitude com algum político:

1) Diga que vitória nas urnas é como um cheque em branco dado pelos eleitores. Afirme para as pessoas que você ganhou democraticamente, e por isso, seus críticos e opositores terão que lhe engolir. Mesmo que você faça coisas questionáveis, reprováveis ou até mesmo ilegais. Engane as pessoas com o entendimento raso que democracia seja ditadura da maioria.

2) Fomente constantemente o “Nós” versus “Eles”. Coloque-se como um defensor dos fracos e oprimidos. Encene situações propositadamente para que as pessoas te vejam como um igual (Comer pastel na feira e segurar criança no colo já está meio batido, ok?) Uma história que tem herói contra um vilão sempre prende a atenção das pessoas. Naturalmente as pessoas torcem para o bem vencer o mal. Assim você vai criar simpatia junto ao público.

3) Desqualifique a imprensa. Arrumar briga com a mídia era mal visto no passado, mas nos últimos anos, surgiu um novo entendimento de que a imprensa vai sempre encontrar alguma coisa errada sobre você. Então seria melhor mantê-la como inimiga afim de falar que toda e qual critica seja enviesada de má-fé.

4) Responsabilize seu antecessor por suas falhas. Fale que não conseguiu realizar suas promessas de campanha por causa da “herança maldita” que você recebeu da gestão anterior.

5) Crie factoides. Faça coisas esdrúxulas. Se vista de palhaço. Surpreenda seus seguidores com situações inusitadas. Faça um vídeo engraçado. Vivemos na era das redes sociais. Polêmicas são importantes para mobilizar a audiência. Dessa forma você poderá guiar a opinião pública. Desvie o foco daquilo que é importante, para aquilo que você quer que as pessoas vejam e discutam.

6) Jogue para torcida. Alimente sua audiência. Tenha seus leões de chácara. Faça com que seus apoiadores sejam ruidosos. Dando a impressão de que são numericamente muitos.

Política é guerra, inclusive guerra de narrativas. O eleitor não toma suas decisões de forma racional na hora de escolher seu voto. Existem muitas estratégias para vencer uma eleição. Existem muitas formas para se manter em evidência e buscar a reeleição.

O importante é sair dessas armadilhas. Ter consciência crítica e discernimento.

Não existe espontaneidade ou falta de premeditação em política.

Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista,
disse que não falava para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito.

Estamos na era da pós-verdade. Por isso sempre duvide de tudo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.