Jacobina

Nefrologista fala das principais causas da insuficiência renal e a importância do transplante

Obesidade, diabetes, pressão alta e o envelhecimento, são fatores que podem levar à doenças renais

Dr. Antônio César de Oliveira, médico nefrologista

Com o objetivo de estimular a doação de órgãos, foi criada no Brasil o Dia Nacional do Doador de Órgãos, comemorado em 27 de setembro. Além de conscientizar para a importância da doação de órgãos, a ação visa estimular órgãos públicos e privados a serem iluminados na cor verde, que representa uma esperança para uma nova fase de vida do paciente transplantado.

Este ano, a Direção da Clínica de Hemodiálise do Hospital Municipal Antônio Teixeira Sobrinho (HMATS) aderiu ao Setembro Verdepara que o público conheça melhor o processo de doação de transplante de órgãos e saiba um pouco mais sobre causas e sintomas da insuficiência renal.

O médico Nefrologista, Dr. Antônio César de Oliveira, explica que o mundo está vivendo uma epidemia de doença renal crônica. “Cada vez mais pacientes têm insuficiência renal por uma série de motivos e grande parte deles não sabem que têm o problema”, alerta o Nefrologista.

Segundo Dr. Antônio César, o que motiva o aumento de pacientes renais são a obesidade, levando ao aparecimento de mais diabéticos, que é a principal causa de entrada de pacientes em diálise nos países mais desenvolvidos e a segunda causa em algumas regiões do Brasil; a hipertensão, que tem a prevalência aumentada, também, pela obesidade, sendo esta a segunda causa de entrada de pacientes no exterior e a primeira no Brasil; e o aumento da expectativa de vida da população. A medida que envelhecemos vamos perdendo função renal.

“Estes fatores têm levado ao crescimento do número de pessoas que precisam fazer terapia de substituição da função renal. Entre as terapias temos a hemodiálise como a principal (uma média de 100 mil pacientes fazem diálise no país). O tratamento é fundamental para manutenção da vida do paciente, sendo realizado de forma rotineira. Em Jacobina, 116 pacientes são tratados com elevado padrão de equipamentos e técnico”, relata o nefrologista.

O especialista também explica que outra forma de tratamento é o transplante renal. “Ele permite a melhoria da qualidade de vida, recupera o paciente como pessoa produtiva na sociedade, reduz custos na saúde pública, aumenta expectativa de vida e oferece uma qualidade de vida com menos dependência e mais próxima de sua vida normal”, finaliza, acrescentando: “Por tudo isto é importante que a doação de órgãos”.

Cenário

No cenário da doação de órgãos e tecidos, o Brasil se destaca no contexto mundial, principalmente por ter o maior sistema público de transplantes do mundo. Segundo o Ministério da Saúde, 95% dos procedimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda de acordo com a pasta, o país teve o melhor primeiro semestre da história no número de doadores efetivos de órgãos, tanto em números absolutos quanto na taxa por milhão de população.

No entanto, a Bahia está entre os Estados com piores índices de doação de órgãos. Para reverter este quadro, foi lançada, na última semana, a Política de Incentivo aos Transplantes, que prevê investimento de mais de R$ 10 milhões por ano para os processos de doação, captação e transplantes. 

Transplantes

Atualmente, na Bahia, são realizados transplantes renais nos hospitais Ana Nery (adulto e pediátrico), São Rafael e Português, e nas Santas Casas de Misericórdia de Itabuna e Feira de Santana. Os hospitais Português e São Rafael realizam transplante de fígado e o hospital Ana Nery foi credenciado recentemente para realizar transplante de coração e pulmão.

Estatística

Ano 2014, na Bahia, até o mês de outubro, foram contabilizadas 97 doações de múltiplos órgãos e 162 de córneas. As doações possibilitaram que fossem realizados 266 transplantes de córnea, 47 de fígado, 73 de rim, 41 de medula óssea, 22 transplantes ósseos, 42 de esclera e um de pele. Existem atualmente 2054 pessoas em fila de espera por um transplante, sendo 932 de rim, 1057 e córnea e 65 de fígado.
Os dados estatísticos têm como fonte o Central de Transplante/ABTO (http://www.saude.ba.gov.br/transplantes).

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