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Vida e obra do compositor Bob Silva, o “Teteu” de Jacobina

O município de Mundo Novo, na Bahia, foi o berço de Bob Silva, conhecido carinhosamente como “Teteu” por familiares e amigos. Nascido em 28 de dezembro de 1918, filho de Roseno Pereira Lima e Hermelina Cardoso Menezes, o menino foi adotado ainda bebê pelo casal Antonio Pinto de Queiroz e Doraldina Alves Barreto, após o falecimento precoce de sua mãe.

Desde cedo, Teteu demonstrou inteligência e talento musical, compondo suas primeiras canções aos 10 anos de idade e animando festas locais com seu violão. Seus pais adotivos, buscando oferecer uma educação de qualidade, o enviaram para estudar em Jacobina, onde cursou o primário na Escola Particular da professora Alice Barros de Figueredo.

Mais tarde, Bob Silva mudou-se para Salvador, onde concluiu o ginásio. No entanto, seu verdadeiro desejo não era obter um diploma, mas sim ser livre para exaltar as terras por onde passava com seus versos, voz e violão. Foi nessa época que compôs músicas como “Minha Infância em Jacobina”, “São Paulo” e “Feira de Santana”.

No Rio de Janeiro, trabalhou nas rádios Nacional e Tupi, deixando esta última antes do término do contrato. Apesar de seus pais adotivos serem abastados, após a morte do Sr. Antonio Pinto de Queiroz, Bob Silva foi deserdado pela nova família de seu pai e pelos tios adotivos, que se apossaram de suas terras. O artista, no entanto, não se importou, pois já levava uma vida sem ambições materiais.

Casou-se duas vezes, a primeira com uma jovem de Recife e a segunda, em São Paulo, com a enfermeira Maria Madalena, com quem teve dois filhos. Compôs diversas canções, como “Simplicidade”, “Jangadeiro de Itapuã”, “Pajuçara”, “A Ceguinha”, “Uma Estrela no Céu”, “Zefinha” e “Cais do Porto”, que foram reunidas em seu primeiro compacto pela Sinter do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos de vida, Bob Silva trabalhou na Rádio de Feira de Santana e no Serviço de Alto Falantes de Jacobina, a cidade que mais amou, apesar de ter sido desprezado por ela. Enfrentando problemas de saúde, precisou ser internado diversas vezes no Hospital de Feira de Santana, sempre retornando a Jacobina após se recuperar.

Em 12 de junho de 1976, aos 57 anos, Bob Silva faleceu em Feira de Santana, vítima de um edema pulmonar. Seu último desejo, confessado à enfermeira-chefe, foi ser enterrado em sua terra natal. Cabe agora aos jacobinenses realizar esse sonho e transladar seus restos mortais para uma sepultura digna, honrando a memória desse talentoso artista que tanto contribuiu para a cultura local.

Matéria baseada em crônica escrita pelo professor Agnaldo Marcelino Gomes

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